Onda de assaltos violenta a rotina de Navegantes e mobiliza forças de segurança entre março e maio
A aparente tranquilidade de uma das principais cidades litorâneas do Vale do Itajaí deu lugar à apreensão. Entre março e maio de 2026, Navegantes registrou uma escalada abrupta nos índices de assaltos e roubos, quebrando a sensação de segurança.
Conhecida por suas praias extensas e pelo porto que impulsiona a economia local, a cidade de Navegantes, no Litoral Norte de Santa Catarina, enfrenta um outono atípico e preocupante. Entre os meses de março e abril de 2026, o município registrou um aumento expressivo e repentino nos índices de criminalidade, especificamente em roubos e assaltos a pedestres. O fenômeno, que contrasta com o histórico de segurança do estado, acendeu um sinal de alerta vermelho na segurança pública regional e gerou forte pressão por parte de moradores e comerciantes.
Os dados estatísticos revelam um disparo alarmante nas ocorrências em um curto espaço de tempo. De acordo com os registros oficiais, o número de assaltos saltou de apenas dois casos em março para 12 ocorrências consolidadas em abril — um aumento de seis vezes no volume de crimes. A tendência de alta não arrefeceu com a virada do mês: na primeira semana de maio de 2026, a média de notificações se manteve próxima a um caso por dia, consolidando um cenário de urgência. Desde o início de janeiro, a cidade já acumula 26 assaltos formalizados.
O avanço da criminalidade desenhou um "modus operandi" claro na região. Conforme relatos de vítimas e investigações em andamento, os crimes têm sido praticados majoritariamente por grupos de quatro a cinco indivíduos que utilizam bicicletas para garantir uma fuga rápida pelas vias da cidade. Os alvos principais são pedestres, ciclistas e, de forma mais vulnerável, mulheres que caminham sozinhas.
O foco dos criminosos está no roubo de oportunidade: aparelhos celulares, carteiras e pertences de valor pessoal. A orla da praia do Gravatá, um dos principais pontos turísticos e de lazer do município, e o bairro Meia Praia tornaram-se regiões críticas, especialmente no período noturno, quando a redução do fluxo de pessoas facilita a abordagem dos assaltantes.
Moradores e comerciantes locais expressam indignação com a audácia dos criminosos. Relatos colhidos na comunidade apontam que as abordagens deixaram de ser furtivas e passaram a envolver assaltos à mão armada, ameaças e, em casos mais graves, episódios de agressão física. "Não temos mais paz para caminhar no calçadão após o pôr do sol. A sensação de impunidade parece ter tomado conta", lamenta um comerciante do Gravatá que preferiu não se identificar. Roubos de bicicletas de alto valor e investidas contra veículos também entraram no radar de reclamações da população.
A forte repercussão social e o clamor da comunidade por respostas rápidas provocaram uma reação enérgica das autoridades locais. Diante do cenário, o prefeito de Navegantes, Ricardo Ventura, tomou a frente de ações de rua ao lado da Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) e da Secretaria de Segurança Pública do município. As primeiras intervenções focaram em abordagens e na identificação de pessoas em situação de rua na região central, mapeando indivíduos que já possuem múltiplos boletins de ocorrência em seus históricos.
O chefe do Executivo municipal adotou uma postura rigorosa diante da crise, sintetizada em uma declaração contundente direcionada aos indivíduos de fora que praticam delitos na cidade:
"Ou ajuda [a trabalhar], ou segue o trecho."
A estratégia da prefeitura foca no binômio da assistência social e da ordem pública, tentando triar quem busca inserção no mercado de trabalho e quem está na região para cometer crimes.
No âmbito investigativo, a Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) também intensificou os trabalhos. O delegado Ícaro Malveira confirmou publicamente o aumento substancial dos assaltos e destacou o esforço do setor de inteligência para identificar e prender os autores. Segundo a autoridade policial, operações coordenadas e cruzamento de dados estão sendo realizados de forma contínua para desarticular os grupos que vêm agindo na orla e nos bairros periféricos.
Como resposta imediata para conter a curva de crescimento dos delitos, uma força-tarefa foi estruturada no município. A ação conjunta envolve o efetivo da Guarda Municipal, da Polícia Militar e equipes da Secretaria de Assistência Social. A PMSC, por sua vez, determinou o aumento do policiamento ostensivo e a intensificação de rondas e barreiras em pontos estratégicos, com atenção especial voltada para o bairro Meia Praia e para a Avenida Beira-Mar.
O panorama de Navegantes surge como uma anomalia em um contexto estadual predominantemente seguro. Santa Catarina historicamente se posiciona como um dos estados mais seguros da federação e iniciou o ano de 2026 com quedas consolidadas nos índices gerais de criminalidade. Contudo, a situação específica do município litorâneo reforça que o dinamismo do crime exige atenção constante e adaptação rápida das forças de segurança para que bolsões de violência não se instalem de forma permanente nas cidades catarinenses.





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