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Navegantes,16/06/2026

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Declarações do Prefeito Divergem da Realidade Vivida por Moradores de Navegantes

Para o chefe do Executivo, o município permanece seguro e o sentimento de vulnerabilidade atual seria um reflexo isolado de um crime de grande repercussão.


Declarações do Prefeito Divergem da Realidade Vivida por Moradores de Navegantes

NAVEGANTES – A segurança pública no município de Navegantes virou o centro de um debate acalorado entre a administração municipal e a comunidade local. Em recente entrevista concedida ao Jornal de Navegantes, o prefeito Ricardo Muniz minimizou os temores da população e contestou a cobertura midiática sobre o aumento da criminalidade na região. Para o chefe do Executivo, o município permanece seguro e o sentimento de vulnerabilidade atual seria um reflexo isolado de um crime de grande repercussão.

"Essa sensação de insegurança, é importante ressaltar, que Navegantes não é uma cidade que falta segurança, não é isso! Nós estamos passando por um momento, esse crime que aconteceu na Meia-Praia, ele meio que trouxe esse tema meio pra fora, mas a cidade está segura sim!", declarou o prefeito Ricardo Muniz.

A fala do prefeito, no entanto, gerou forte reação de moradores, comerciantes e veranistas, que apontam uma desconexão evidente entre o discurso oficial e o cotidiano das ruas. Relatos coletados pela reportagem indicam que a percepção de calmaria defendida pela prefeitura esbarra em uma rotina marcada por assaltos frequentes e policiamento escasso.

Ao contrário do cenário de tranquilidade desenhado pela administração municipal, quem circula pelos bairros de Navegantes relata uma realidade bem diferente. O bairro Gravatá, um dos principais polos turísticos e residenciais da cidade, tem sido alvo de uma sequência de roubos na orla que assusta moradores e visitantes. A criminalidade não escolhe alvo: estabelecimentos comerciais de grande movimento, como sorveterias, além de residências particulares, têm sido frequentemente invadidos.

Outro crime que se tornou endêmico na região é o furto de bicicletas, principal meio de transporte de muitos trabalhadores locais. "Não temos mais a liberdade de caminhar na praia no fim da tarde sem o medo constante de sermos assaltados. A sensação é de que estamos entregues à própria sorte", desabafa uma moradora do Gravatá que preferiu não se identificar.

Principais Ocorrências Relatadas pela População:

  • Roubos seguidos na orla do Gravatá: Assaltos a pedestres em plena luz do dia e à noite.

  • Invasões comerciais e residenciais: Comércios tradicionais, como sorveterias, viraram alvos fáceis.

  • Furtos de oportunidade: Crescimento vertiginoso no furto de bicicletas e pertences deixados na praia.

Um dos pontos mais críticos apontados pela comunidade é o aumento visível do número de pessoas em situação de rua no município. A vegetação de restinga, que margeia a praia, transformou-se em abrigo improvisado para dezenas de indivíduos. Moradores denunciam que a falta de iluminação e a densidade da vegetação facilitam a ação de criminosos, que utilizam o local como esconderijo estratégico após cometerem assaltos na avenida Beira-Mar.

Por outro lado, a comunidade reconhece que a prefeitura tem tomado atitudes diante do problema. Ações de abordagem social e tentativas de desocupação dessas áreas têm sido registradas frequentemente. No entanto, a eficácia e o destino dessas intervenções geram questionamentos. "Temos que dar o crédito ao prefeito de que as ações para retirar esse povo das ruas estão, de fato, acontecendo. Mas fica uma pergunta crucial no ar: para onde esse pessoal está sendo levado?", indaga um comerciante local. Sem um plano de acolhimento transparente e de longo prazo, a população teme que o problema seja apenas deslocado de um bairro para outro.

Policiamento Escasso e a Necessidade de Reforço Estadual

A principal crítica da população de Navegantes recai sobre a estrutura de segurança pública disponível. O diagnóstico de quem vive o dia a dia da cidade é de que o policiamento é mínimo durante o período diurno. Quando a noite cai, a situação se agrava severamente: moradores afirmam que ver uma viatura da Polícia Militar ou da Guarda Municipal circulando pelos bairros se tornou um evento raro.

Especialistas em segurança pública apontam que a Guarda Municipal e o efetivo local da Polícia Militar fazem o que podem com os recursos que possuem, mas a estrutura atual da cidade já não comporta o crescimento populacional e o fluxo turístico de Navegantes.

A avaliação geral é de que, em vez de rechaçar os dados e a cobertura da imprensa, a prefeitura deveria adotar uma postura mais enérgica de cobrança junto às esferas superiores. Para as lideranças comunitárias, o que falta urgentemente é o prefeito Ricardo Muniz articular e pedir um reforço policial robusto ao Governo do Estado de Santa Catarina. Navegantes necessita de um aumento imediato no efetivo e no envio de viaturas para restabelecer a ordem e garantir o direito básico dos cidadãos de ir e vir sem o medo que hoje impera na orla e nos bairros.




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